Compartilhar a máxima de uma postura empreendedora, envolver a equipe nos processos e incentivar um ambiente de trabalho plural, criativo e inovador. Essa definição é uma das possíveis para o intraempreendedorismo, mas como aplicar o conceito na prática? Em entrevista ao Administradores.com, Hannouche listou sete pontos que considera relevantes para a transformação cultural de uma empresa orientada para a valorização do intraempreendedorismo.
Trazer um viés mais meritocrático do que “tempocrático”. “Isso significa entender que as pessoas crescerão na empresa de acordo com as ações, com as entregas e com os resultados”, explica;
Criar dinâmicas de leituras e compartilhamentos de conhecimentos no mundo do empreendedorismo, inovação, cultura e liderança. “Uma que uso nas minhas empresas é que todo colaborador leia um livro por mês e compartilhe na primeira sexta feira do mês os principais aprendizados do mesmo em uma apresentação de 15 a 30 minutos. Desta maneira existe a colaboração, a inteligência coletiva e a multiplicação do aprendizado através de todos que formam a empresa”, pontua. Renan Hannouche é co-fundador da Stape Music, Endless Learning, Let’s, Saly, Justin e IKONE;
Implementar a dinâmica da “prefeitura”. Funciona da seguinte forma: mensalmente, um dos colaboradores é eleito prefeito da empresa e tem um orçamento para realizar melhorias que julga importantes para a coletividade. “Desta maneira existe o exercício da auto-responsabilidade, do senso de pertencimento e da postura de dono. Todos os mandatos são avaliados por todos da empresa e os melhores prefeitos durante o ano recebem prêmios”;
Cultivar confiança, verdade e singularidade. “Muitas empresas contratam as pessoas para dar ordem”, destaca. “Acredito em contratar pessoas melhores do que nós mesmos para que eles nos digam em suas respectivas expertises o que fazer. Acredito que todos somos insubstituíveis e, portanto, cada pessoa é diferente o suficiente para nos ensinar algo novo”;
Reforçar o poder que há em fazer algo pela primeira vez. “A maior parte das empresas contrata pessoas para serem máquinas, para fazerem as mesmas atividades repetitivamente e serem cada vez mais eficientes. Minha provocação é que precisamos permitir às pessoas a ousarem o novo, a errarem neste novo caminho, mas que certamente é um caminho de aprendizados e de inovação”, reforça Hannouche;
Oferecer liberdade e autonomia na medida certa. “O segredo da inovação está em soltarmos os botes salva-vidas mesmo que não haja possibilidade de naufrágio de um Titanic, digamos. Os botes são os intraempreendedores que, de forma autônoma e independente do navio (a empresa), são capazes de encontrar outros modelos de negócios capazes de transformar e ressignificar o futuro das empresas”, diz. Hannouche defende a criação de equipes multidisciplinares, constituídas por colaboradores de diferentes áreas da empresa, mas também de pessoas de fora, que acrescentem uma visão não viciada, que tenham a sua disposição um pequeno orçamento e tempo para se dedicarem ao desenvolvimento desses projetos;
Incentivar o intraempreendedorismo desde a seleção de candidatos. “Crie desde o processo seletivo a possibilidade para que os interessados mostrem o que eles fariam de diferente nos diversos produtos e serviços da sua empresa”. Para Hannouche, estabelecer esse critério de seleção pode trazer para a empresa novas pessoas capazes de influenciar as já fazem parte (e vice versa). “Lembremos: nenhum de nós é tão inteligente quanto todos nós juntos, então precisamos exercitar diariamente o intraempreendedorismo para somarmos nossas forças”, finaliza.